A Veracel costuma apresentar sua atuação como exemplo de equilíbrio entre produção e preservação. No papel, metade das áreas é destinada à conservação, e técnicas modernas prometem reduzir impactos. Mas a realidade no território revela um cenário mais complexo — e preocupante.
A monocultura de eucalipto, ainda que tecnicamente eficiente, cria uma paisagem artificial. Ao ocupar grandes extensões contínuas, ela fragmenta habitats e dificulta a sobrevivência de espécies nativas. Organizações ambientais alertam que esse modelo compromete a biodiversidade e altera o funcionamento natural dos ecossistemas.
Outro ponto sensível é a transformação do uso da terra. Regiões antes ocupadas por vegetação nativa ou agricultura diversificada passam a depender de um único cultivo, o que aumenta a vulnerabilidade ambiental e econômica.
A empresa argumenta que utiliza manejo sustentável, como plantio em mosaico e redução de defensivos. Essas iniciativas são positivas, mas insuficientes diante da escala da operação. Não se trata apenas de “como” se planta, mas de “quanto” e “onde”.
Críticos dessa visão costumam acusar ambientalistas de exagero, apontando os benefícios econômicos e tecnológicos do setor. No entanto, ignorar os impactos não os elimina — apenas adia suas consequências.
A verdade é que o modelo atual precisa ser repensado. Não basta mitigar danos; é necessário reduzir a dependência de monoculturas e investir em alternativas mais diversas e resilientes.
Sustentabilidade não pode ser slogan. Ou ela se traduz em equilíbrio real com o meio ambiente, ou será apenas uma narrativa conveniente para justificar a exploração.
POR REDAÇÃO
